Revoltas

Ontem senti-me mais próxima de ti.

 

Na verdade, perdi a conta das vezes que os meus olhos se encheram de agua, porque era assaltada por novas recordações . As vezes acho que nunca vou conseguir olhar para trás apenas com sentimentos de saudade.

Só consigo sentir uma grande revolta por ter perdido tanto tempo; só consigo lamentar as vezes que não te visitei, as vezes que não estive mais próxima . Afoga-me. Uma revolta que me afoga. Como se da minha garganta quisessem sair gritos de recusa ao que a vida te fez.

 

Tentei imaginar o teu sorriso. Só para me sentir feliz.

Tentei ouvir a tua voz, só para não me sentir sozinha.

Acho que consegui imaginar cada comportamento, cada passo teu..

 

Com os pensamentos em ti, ontem, quis pedir perdão por isso. Confesso todos os dias o meu arrependimento.  

 

Contam-me de gestos dos que ficaram. Daqueles que perante a tua partida, perderam um pouco, mas não tanto como eu. Eu, eu perdi uma parte daquilo que sou. Afinal, eramos parecidas! Mais que isso, quero mais do que isso. Quero ser a Maria que nasceu 50 anos depois.

 

Quero ser tão forte, como um dia foste. Tão mãe, tão mulher, tão amiga, tão certa, tão simples, tão amada, como um dia tu foste.

Quero ser, tão feliz como tu querias que fosse. Tão alegre como me ensinas-te a ser. Serei tão colorida como querias que fosse.

 

Pode ser que me sinta mais proxima de ti. Pode até ser, que a revolta dê lugar ao sentimento de pura aceitação.

 

 

 

 

 

 

Por Di às 23:17
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